Grupo de estudos pesqueiros
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Análise do desempenho e dos impactos da pesca pelágica
      O maior recurso pesqueiro marinho do Brasil, a sardinha-verdadeira ( Sardinella brasiliensis ), ocorre sobre a plataforma continental até 70 metros de profundidade, entre o Cabo de São Tomé - RJ (22°S) e o Cabo de Santa Marta Grande - SC (29°S) (Matsuura, 1996). A pesca deste recurso é feita por traineiras utilizando redes de cerco. A maior parte da frota desembarca nos portos de Itajaí/Navegantes (SC), Santos (SP) e Rio de Janeiro (RJ) (Occhialini & Schwingel, 2003; Schwingel & Occhialini, 2003). A frota em operação na região Sudeste/Sul é composta por cerca de 185 embarcações, sendo que 86 estão sediadas no Estado do Rio de Janeiro, 29 em São Paulo e 70 em Santa Catarina.
      As principais áreas de desova da sardinha-verdadeira concentravam-se na década de 1970 nas regiões entre Cabo de São Tomé e Cabo Frio (RJ), na região de Ilha Grande (RJ) e entre Santos (SP) e Santa Catarina (Matsuura, 1977). Dados de Matsuura (1998) sugerem que a área de desova varia anualmente, concentrando-se na década de 1990 nas regiões entre Ilha Grande e Ilha de São Sebastião (RJ) e entre Paranaguá (PR) e Florianópolis (SC). Entretanto, existem indicadores que a costa do Rio de Janeiro voltou a ser um importante local de desova a partir de 2008.
      Os problemas derivados do período de defeso reprodutivo e das oscilações interanuais da abundância deste recurso têm drásticos efeitos sócio-econômicos na pescaria da sardinha-verdadeira no sudeste e sul do Brasil. Também, rigidez dos períodos de defeso reprodutivo, baseado em padrões estimados à longa data, podem ocasionar um esforço de captura sobre o estoque desovante provocando uma falha reprodutiva da população. Ao mesmo tempo, observamos no Brasil uma escassez de estudos quantitativos para auxiliar o manejo e a administração de nossas pescarias. Estudos de atualização e acompanhamento de parâmetros biológico-pesqueiros devem ser realizados permanentemente, e seguidos de avaliações de estoque anuais.
      Assim como as previsões de períodos de maturação para efeito de ajuste dos períodos de defeso, é necessário obter-se estimativas do tamanho do estoque que está sendo explotado e suas variações interanuais. Desde a década de 1990 não existem avaliações de estoque da sardinha-verdadeira (Cergole et al ., 2002), sendo essa informação base para tomadas de decisão do Ministério da Pesca e outras instâncias governamentais (e.g. MMA, IBAMA e Sub-comitê Científico do Comitê de Gestão do Uso Sustentável de Sardinha-Verdadeira) voltadas à gestão da pesca da sardinha-verdadeira.
      Paralelamente, a sardinha-verdadeira é utilizada também como insumo em outra pescaria, pela frota industrial atuneira de vara e isca-viva, cuja atividade carece de informações atuais para um dimensionamento consistente sobre a demanda de iscas. Apenas estimativas realizadas entre os anos 1990 e início da presente década (Lin, 1992; Santos & Rodrigues-Ribeiro, 2000; Santos, 2005 ) são conhecidas, sendo necessário retomar o monitoramento das capturas de juvenis de sardinha usadas como iscas-vivas pela frota atuneira, bem como estabelecer os atuais impactos desta atividade sobre o recurso na pesca industrial de cerco no Sudeste e Sul do Brasil.
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